quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Núcleo da Cultura: Barão de Itararé


Inspirado pela postagem da companheira Mônica, procuramos um texto ilustrativo da verve anarco-humanista de Apparicio Torelly Apporely vulgo Barão de Itararé:

"O Homem de Bem

Se Diógenes voltasse agora ao mundo começaria atirando a sua anacrônica lanterna no lixo e acabaria comprando em prestações um possante holofote, a fim de reiniciar a procura de um homem de bem.

Diógenes envelheceria novamente, projetando a luz dos refletores em todas as direções, e terminaria seus dias na mesma busca inútil que lhe consumiu a primitiva existência.

(...)

A humanidade, realmente, não presta para nada, mas não nos devemos esquecer de que nós fazemos parte dela e, portanto, não somos lá grande coisa.

Basta este raciocínio para que tenhamos uma grande dose de tolerância e de complacência para com essas pobres criaturas, cheia de imperfeições e fraquezas, pois também nós somos feitos do mesmo barro frágil e quebradiço.

(...)

O filósofo cínico não deveria projetar a luz embaciada de sua lanterna sobre os homens. Ele deveria começar voltando-a sobre si mesmo, porque, por mais patife que seja um cavalheiro, sempre tem seu lado bom. (...)

A humanidade não presta. Mas nós devemos viver reconciliados e conformados com ela. Este é o bicarbonato capaz de melhorar a nossa azia e de acalmar as náuseas totalitárias que assaltam periodicamente o nosso estômago. E, para se chegar a essa perfeição, não é necessário ser muito filósofo como Diógenes. Basta ser um pouco cínico." (1945)

Um comentário:

Mônica Athayde disse...

Ótimo texto, companheiro. Mais uma vez, na veia!