sexta-feira, 2 de julho de 2010

"Nunca vi uma dor igual a essa!"


Para entender o caráter ao mesmo tempo trágico e épico da frase de Kaká, recorro ao gênio narrativo de Cormac MacCarthy (Meridiano de Sangue):

"- É por isso que a guerra perdura?

- Não. Perdura porque os jovens são loucos por ela e os velhos adoram ver essa paixão que há neles. Os que combateram e os que não combateram.

- Essa é sua opinião.

- O juiz sorriu. Os homens nasceram para os jogos. Nada mais. Qualquer criança sabe que brincar é mais nobre que trabalhar. Sabe também que o valor ou mérito de um jogo não é inerente ao jogo em si mas antes ao valor do que está em risco. Jogos de azar exigem uma aposta para significar alguma coisa. Jogos esportivos envolvem a habilidade e força dos oponentes e a humilhação da derrota e o orgulho da vitória são em si mesmos aposta suficiente pois estão indissociavelmente ligados ao valor dos envolvidos e os definem. Mas seja qual for a prova, se de sorte ou valor, todo jogo aspira à condição de guerra pois nesse caso o que se aposta suprime tudo, jogo, jogadores, tudo."

Os cidadãos de Campos e a instabilidade política

(Artigo da Vereadora Odisséia, Jornal Folha da Manhã,  02/07/2010)
"Nos últimos cinco anos temos passado por uma série de decisões judiciais que culminaram em cassações tanto no executivo quanto no legislativo municipal.
As ações do poder judiciário trazem apenas uma certeza, a de que algo vai muito mal na planície goitacá, as incertezas são muitas já que as liminares e outros artifícios jurídicos acabam por confundir a população.
Em outro artigo afirmei a necessidade de ousar, de ter esperança de que não sejamos mais conhecidos como a cidade da corrupção, do mau uso dos recursos públicos (como os royalties!), das cassações de prefeitos, da educação cheia de problemas, da saúde caótica, das ruas esburacadas.
Reafirmamos agora que essa terra é nossa e independente das decisões judiciais é preciso construir uma alternativa para o município, Campos merece um governo melhor, ético, democrático,competente. E quem tem a responsabilidade dessa mudança somos todos nós que não compactuamos com esse modelo que está aí há tantos anos.
Não podemos pautar a construção de um projeto pra o município apenas por questões eleitorais, não acreditamos que esse é o melhor caminho, acreditamos que é possível fazer diferente e mais vamos fazer diferente.
Essas mesmas forças democráticas com cidadãos de bem, que dizem não ao garotismo, serão os protagonistas da nova história de Campos, um município que pode ser conhecido pela transparência, pela utilização responsável dos recursos enormes que recebe, por uma educação de qualidade, saúde decente, uma cidade onde os conselhos de direitos funcionem, onde a população é consultada. Uma cidade governada com seriedade, longe do desgoverno que há mais de duas décadas comanda essa terra.
É nesse modelo que acreditamos, é de uma administração assim que o povo espera, temos homens e mulheres capazes de levar esse projeto adiante, não queremos mais do mesmo, com o vigor característico da gente dessa terra. Ousemos!!"

O diagnóstico diferencial



A perseguição não pára
Depois do que acabou de acontecer agora à pouco, talvez alguns compreendam a minha decisão de ontem. O ministro do TSE, Marcelo Ribeiro, que me concedeu a liminar cassou o mandato da minha esposa Rosinha Garotinho, da prefeitura de Campos.

A população de Campos está revoltada e em vários pontos da cidade, já existem manifestações e já foram registrados alguns distúrbios, todos sabem que é Sérgio Cabral que está por trás disso.

Agora vocês podem entender melhor o fogo cruzado que abriram contra mim, minha esposa e minha filha, e a dor que estamos sentindo por nos considerarmos perseguidos políticos, em pleno regime democrático.

É a nova ditadura, da mídia e do poder econômico contra os que defendem o povo.



No livro referência mundial para psiquiatria (CID-10), encontramos:

Esquizofrenia paranóide

Esse é o tipo mais comum em muitas partes do mundo. O quadro clínico é dominado por delírios relativamente estáveis, com frequência paranóides, usualmente acompanhado de alucinações e perturbações da percepção.

São exemplos dos sintomas paranóides:

(a) delírios de perseguição, referência, ascendência importante, missão especial.

Núcleo da Copa (?)

Dunga tem aprovação recorde da torcida brasileira, diz Datafolha

O técnico da seleção brasileira Dunga está com uma aprovação considerada ótima ou boa para 69% da população, segundo pesquisa nacional realizada pelo Datafolha.
A pesquisa foi feita nos dias 30 de junho e 1 de julho e foram ouvidas 2.658 pessoas (1.291 homens e 1.367 mulheres), em 163 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Desde que assumiu a equipe brasileira há quatro anos, Dunga conquistou todos os títulos que disputou, com exceção dos Jogos Olímpicos de Pequim, quando o time ficou com a medalha de bronze.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Núcleo da Campanha









O clichê é inevitável: "É muito cacique pra pouco índio!"

Acompanhe o cerne da análise do articulista Fernando Rodrigues (http://uolpolitica.blog.uol.com.br/) sobre o processo inteligente de escolha do vice do Serra:

Na novela do vice, PSDB e DEM saíram perdendo
O desfecho do processo de escolha do candidato a vice-presidente na chapa do PSDB não teve propriamente vencidos e vencedores. Todos perderam.

Qual era a lógica (que estava completamente errada)? Álvaro como candidato a vice-presidente amarraria o apoio de seu irmão, o também senador Osmar Dias (PDT-PR), para o candidato do PSDB ao governo do Paraná, o ex-prefeito de Curitiba, Beto Richa.

Deu a lógica.
Mesmo com seu irmão ainda sendo o candidato a vice-presidente de Serra, na noite de terça-feira, dia 29.jun.2010, Osmar Dias anunciou ser candidato ao governo do Paraná, com o apoio do PT –e apoiando a petista Dilma Rousseff para presidente.

Em certa medida, esse episódio revela como a candidatura de Serra está limitada “na política”, como se diz em Brasília. Erros são cometidos em uma campanha. OK. Mas esse da indicação de Álvaro Dias como candidato a vice-presidente parece estar no ponto mais alto na escala da ingenuidade no mundo da “Realpolitik”.

A escolha de Índio da Costa não foi, portanto, uma vitória do DEM nem uma derrota de Serra. Foram as circunstâncias que engolfaram demistas e tucanos. Todos perderam.

O saldo do episódio da escolha do vice é que DEM e PSDB, sobretudo o PSDB e Serra, gastaram energia inútil com um assunto que poderia ter sido resolvido “na política”, muito mais facilmente, sem crise.

Essa inabilidade política toda pode ter sido provocada por dois fatores principais. Primeiro, porque os tucanos talvez sejam mesmo ruins “de política”. Foram forjados por uma conjuntura econômica (o Plano Real, em 1994) e nunca tiveram realmente o dom para a grande arte da negociação. O segundo fator é que quando uma campanha começa a ter problemas... outros problemas nascem quase por geração espontânea.

Escolha o filme













Duas notícias que "abalaram" o dia hoje: a desistência do ex-tudo, Anthony Garotinho, para a disputa ao governo do Estado (será uma benção?) e o pretenso ou possível vice de Serra. Qual real significado dessas escolhas? Infelizmente, em política, tudo pode acontecer, para o bem ou para o mal. No primeiro caso, ainda estou na dúvida se é bom ou ruim, afinal, nunca sabemos o que passa na cabeça desse pessoal da Lapa. Interessante que há uns dois meses uma fonte (muito fidedigna) havia me revelado que o ex-tudo não iria se candidatar ao Governo, o que duvidei. Então, a única certeza que tenho é que a decisão não foi tomada há alguns dias e muitos fatos ocorridos agora já eram esperados pela Turma da Lapa, inclusive as decisões jurídicas.
O segundo caso, me parece, mais para o bem, porque denota que a oposição está perdida e atordoada depois dos recentes resultados das pesquisas de intenção de voto favorecendo a candidata do PT, e não há ninguém para salvar a candidatura do PSDB. Do blog, Tijolaço, de Brizola Neto, sobre o critério de escolha do vice:

“O deputado democrata de primeiro mandato Indio da Costa (RJ) acordou nesta quarta-feira candidato a deputado federal e vai dormir postulante a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB) sem nunca ter conversado por mais de 15 minutos com o candidato. Aos 39 anos, disse que sua missão nesta campanha será conseguir o apoio do eleitorado jovem do país. A única vez que trocou palavras com Serra foi na estreia do Brasil na Copa contra a Coreia do Norte, neste mês, quando os dois falaram das necessidades do Estado do Rio. Quando o deputado Fernando Gabeira (PV) estava em dúvida se concorria ao governo do Estado do Rio, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) cogitou a indicação de Indio da Costa. O deputado então enviou a Serra um texto de duas páginas com propostas para o Rio e uma apresentação pessoal. Após a definição de Gabeira pela candidatura ao comando do Estado, Indio da Costa recebeu de um emissário um comentário de Serra de que tinha achado o aliado um jovem de ideias modernas.”


Logo, resta saber em qual categoria se enquadram - drama ou comédia - esses velhos filmes que vamos ficar cansados de assistir.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Núcleo da Campanha



Quando a única opção racional é a "estratégia subótima" ou a arte de sair "menor" de como se entrou:

"Anthony Garotinho desiste de se candidatar a governador do Rio e disputará vaga de deputado federal."
"Rosinha afirma que Garotinho foi 'vítima de linchamento político'."

"DEM anuncia Índio da Costa para vice de Serra."
"Álvaro Dias diz que foi usado."

Núcleo da Campanha



PT oficializa apoio a Cabral e escolhe suplente

O PT homologou oficialmente nesta terça-feira (29) o apoio à reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB) e escolheu a dupla de suplentes de seu candidato ao Senado, o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. O primeiro suplente, escolhido em votação acirrada por 25 a 23, será José Bonifácio, presidente estadual em exercício do PDT, que também compõe a coligação. O segundo será o sociólogo Emir Sader, do próprio PT.
Cotado para a vaga de primeiro suplente, o ex-prefeito de Niterói, Godofredo Pinto (PT), ficou de fora. Segundo o deputado federal Luiz Sérgio, presidente estadual do PT, "a inclusão de José Bonifácio não cria isolamento político à candidatura de Lindberg". Godofredo, porém, teve suas contas julgadas irregulares pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e foi incluído em uma lista entregue ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, podendo se tornar inelegível por oito anos.
Sader também foi condenado, em 2006, por injúria, por acusar o senador Jorge Bornhausen (DEM-SC) de racismo. Como a condenação foi por um único juiz, entretanto, ele não é preterido pela Lei Ficha Limpa, que torna inelegíveis somente pessoas condenadas por órgãos colegiados - ou seja, mais de um juiz.
O PT aposta em Benedita da Silva para puxar os votos a deputados federais e em Carlos Minc para os estaduais.


Núcleo da Copa XXIV


O verdadeiro babaca!

Johan Cruyff, membro do mítico "carossel holandês" e eterno vice campeão, destilou um pouco mais do seu veneno ressentido contra os penta campeões mundiais. O irônico dessa parolagem é que as suas banais palavras se aplicam à perfeição a atual seleção de seu país. Como se pode ver acima o melhor da Holanada está na arquibancada!
“Cadê o time brasileiro que todos nós conhecemos? Lembro de jogadores como Gerson, Tostão, Sócrates, Falcão, Zico. Agora, só vejo Gilberto, Melo, Bastos, Julio Baptista”, criticou Cruyff em entrevista ao jornal inglês Daily Mirror.
“Onde está a magia brasileira? Posso entender por que Dunga chamou alguns desses jogadores, mas cadê o armador, a habilidade no meio-campo?”, questionou o ex-jogador do Barcelona, comandante do “carrossel holandês” de 1974, lembrado como um dos melhores de todos os tempos.
“Eu não acho que nenhum espectador gostaria de pagar para ver esse time. Eu nunca compraria um ingresso”, disparou Cruyff, que considera o Brasil de 2010 “apenas um time como qualquer outro”, diferente de outros Mundiais.
“Eles têm jogadores talentosos, mas jogam de uma maneira defensiva e pouco empolgante. É uma vergonha para o torneio. Os torcedores sempre querem apreciar o futebol brasileiro, a fantasia que eles trazem para a Copa do Mundo, mas não terão nada disso agora”, completou Cruyff.

Paul Krugman: sinais de uma terceira depressão


"As recessões são comuns, mas as depressões são raras. Até onde eu sei, apenas dois períodos da história econômica foram chamados na sua época de "depressões": os anos de deflação e instabilidade após o Pânico de 1873 e os anos de desemprego em massa após a crise de 1929 a 1931.
Nem a Longa Depressão do século 19 nem a Grande Depressão do século 20 foram períodos de declínio ininterrupto - pelo contrário, ambas tiveram momentos em que a economia cresceu. Mas esses episódios de melhoria nunca foram suficientes para desfazer os danos do choque inicial e foram seguidos de recaídas.
Receio que estejamos nos primeiros estágios de uma terceira depressão. A probabilidade é que ela seja mais parecida com a Longa Depressão do que com a Grande Depressão. Mas o custo - para a economia mundial e, acima de tudo, para os milhões de vidas arruinadas pela falta de empregos - será ainda assim, imenso.
E essa terceira depressão será resultado de um fracasso das políticas econômicas. Em todo o mundo - mais recentemente na desanimadora reunião do G-20 no último final de semana - os governos estão obcecados com a inflação, enquanto que a grande ameaça é a deflação, recomendando cortes de gastos, ao passo que o verdadeiro problema são os gastos inadequados.
(...)
É quase como se os mercados financeiros conseguissem entender o que os legisladores não conseguem: apesar de a responsabilidade fiscal de longo prazo ser importante, o corte repentino de gastos em uma depressão, que aumenta mais ainda essa depressão e precede a deflação, é também uma estratégia autodestrutiva.
E quem pagará o preço pelo triunfo desse conservadorismo? Dez milhões de trabalhadores desempregados, muitos deles, inclusive, que ficarão sem trabalho por anos ou até mesmo pelo resto da vida."
(*) Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008.

Fonte: Carta Maior